Wagner Cassimiro
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Como construir um jogo de aprendizagem?

Você sabe como criar um jogo de aprendizagem? Eu sou Wagner Cassimiro e este é o Espresso3.

O processo geral de construção de um jogo de aprendizagem, ou jogo sério, é muito semelhante a construção de uma experiência de aprendizagem tradicional. Diferencia-se, no entanto, pela configuração da dinâmica principal do jogo e dos seus elementos.

Para começar, é importante identificar as expectativas com esta ação. Se você atua no mundo corporativo, deve-se pensar nos resultados esperados do negócio. Se você atua no mundo da educação, deve-se pensar no propósito desta ação. A final, o que eu espero conseguir com este jogo de aprendizagem?

Na sequência, devemos analisar com mais profundidade o aprendiz e seu contexto. É importante mapear experiências prévias, preferências de aprendizagem, disponibilidade de tempo, ambiente de aprendizagem, tecnologias disponíveis, aptidão tecnológica, entre outros fatores. Especialmente no mundo corporativo, onde a aplicação é mais exigida que a mera compreensão de conhecimentos, deve-se identificar as entregas, os processos de trabalho e o próprio contexto de trabalho.

Mapeadas as finalidades e os atores, precisamos definir o que os participantes deverão fazer ao final do jogo de aprendizagem. Neste estágio, definimos os objetivos de aprendizagem.

Seguindo as orientações de redação e a taxonomia revisada de Bloom, já podemos vislumbrar o próximo estágio, que é a definição da mecânica principal do jogo de aprendizagem. Assim, se a finalidade é a Memorização, jogos tipo quiz e matching são mais apropriados. Se a finalidade é a Compreensão, jogos tipo alinhamento, busca, resgate e exploração contribuem mais, pois trabalham o reconhecimento, a ordenação, a organização e o domínio de conhecimento dentro de uma história (storytelling). Se a finalidade é a Aplicação, jogos práticos que exigem execução e agilidade, como corridas e simuladores de equipamentos, contribuem para o desenvolvimento de habilidades.

Nos estágios de Análise e Avaliação, temos jogos tipo solução (puzzle), aquisição de territórios, estratégia, RPGs e jogos de empresas, que contribuem para o processo de reconhecimento de uma situação, reflexão e tomada de decisões. Por fim, no estágio da Criação, temos os jogos de criação e simuladores de construção que exploram a criatividade e a atuação em novos cenários.

A reflexão até aqui possibilitará não só definir uma referência de um jogo tradicional a ser seguida, como também definir qual o meio mais apropriado a ser utilizado, ou seja, se o jogo será de tabuleiro, via celular, online, etc.

Definida a mecânica principal do jogo de aprendizagem e o meio, passamos para sua configuração e design, ou seja, definimos e formatamos primeiro os elementos essenciais do jogo (competição, cooperação, exploração e storytelling) e como será seu padrão estético. Na sequência configuramos, calibramos e ajustamos, os placares (pontos), rankings, níveis de dificuldade, recompensas, badges (distintivos), recursos, táticas, tempo, entre outros elementos comuns aos jogos. Não podemos esquecer de explicitar as regras do jogo e redigir instruções aos facilitadores, caso a experiência seja guiada.

A partir de então começamos um ciclo ágil de desenvolvimento. Assim, após o primeiro desenho, já desenvolvemos um piloto e fazemos sua avaliação, utilizando recursos básicos e improvisados para a aplicação teste com representantes reais do público final. A intenção é que a cada ciclo de “desenho, desenvolvimento e avaliação”, as dinâmicas e as interações vão proporcionando feedbacks que aprimorarão a jogabilidade e ampliarão a experiência do participante como um todo.

Após a validação de uma versão madura, podemos lançar e implementar a versão 1.0, sem parar de acompanhar e prever atualizações de aprimoramento.

Para finalizar, é importante ressaltar que o jogo de aprendizagem precisa ser acompanhado de uma reflexão que consolidará a aprendizagem, bem como de um plano de transferência da aprendizagem para a prática e da checagem de seus resultados.

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Adaptado de: BOLLER, S.; KAPP, K. Play to Learn: everything that you need to know about designing effective learning games. Alexandria: ATD Press, 2017.

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