Wagner Cassimiro
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Série Rio 2016 | 1 de 8 | Papel de RH no Comitê Rio 2016

Olá, estou aqui com o Henrique Gonzalez, Diretor de RH do Comitê Rio 2016, para falar sobre o papel do RH neste megaprojeto. Eu sou Wagner Cassimiro e este é o Espresso3.

Henrique, você poderia dar uma visão geral da atuação do RH neste megaprojeto?

Claro, é um prazer! As questões básicas são de uma mobilização de uma força de trabalho de 140 mil pessoas. Buscar estas pessoas no mercado, selecioná-las, treiná-las para que a entrega seja de excelência e mantê-las engajadas e motivadas para que elas façam o melhor de suas vidas em um projeto tão importante quanto este para o Brasil. Em resumo este é o papel de mobilização.

Algumas etapas são importantes. Entrei no projeto em janeiro de 2011. Naquele momento começamos do zero com características de startup. Era necessário trazer a liderança para o projeto, então foi um processo de busca, de contratação de líderes que tivessem grande alinhamento com os valores dos Jogos, de disseminar uma cultura organizacional baseada na estratégia, nos valores que enxergávamos à frente. Este foi um trabalho muito bacana feito logo no início, em 2011 e 2012, em que olhávamos para nosso futuro e víamos uma organização de instalações esportivas e nestas instalações, grande parte do poder decisório acontece ali, naquele momento 98% das decisões são tomadas para resolver o evento. É um processo de muito empowerment para as equipes, uma liderança muito inspiradora e engajadora para que as equipes resolvam grande parte dos problemas.

Isso precisava estar na cultura desde lá de trás, pois a cultura é feita pelo exemplo e pela atitude dos líderes, sendo que isto foi construído ao longo do tempo para que neste momento possamos fazer a mudança de planejamento para a operação.

As principais áreas de atuação foram focadas em desenvolvimento de liderança: coaching, autoconhecimento do seu impacto na cultura organizacional, mobilização dos times e capacidade de delegação para que estes times pudessem fazer as entregas lá na frente.

O processo de recrutamento foi um processo um pouco diferente do processo que fazemos em grandes organizações. Ao invés de começar perguntando sobre o passado, a gente perguntava do porquê estava aqui e qual o sentido que isto fazia na vida da pessoa no futuro, para assegurar aqueles que identificavam a passagem por aqui como algo de crescimento pessoal e de crescimento também profissional e que lidavam bem com a finitude do projeto, pois há uma grande desmobilização quando isto acaba.

Logo depois dos jogos 95% das pessoas saem, então quem lidava bem com isso e enxergava passar pelo projeto como uma oportunidade de crescimento de carreira, de aprendizado, de relacionamento e de potencializar sua carreira para o futuro, foram os que mais funcionaram, com este cruzamento de valores.

O engajamento também foi muito importante. Cada um dos andares aqui deste prédio, que foi construído em módulos de container e tem todo o look dos Jogos, toda a aparência deste prédio está voltada para o esporte e foi pensada em engajar. Os espaços são compartilhados para que não haja bloqueio, isolamento entre as equipes e principalmente que os líderes estejam próximos. A mesa de um diretor é igual a mesa de qualquer funcionário e com isto você cria maior interação e menos formalidade nas relações para que a produtividade seja a maior possível. Todas estas preocupações com o ambiente de trabalho e com dividir o que acontece no projeto foi muito importante, pois a cada ano dobrávamos de tamanho. Em 2011 eram 100 pessoas, finalizamos com duzentas, ano seguinte 400, 800, 2.000 em dezembro do ano passado, já somos 3.000 e até os Jogos entram mais 3.000 pessoas.

Nossa capacidade de comunicar e engajar tem que ser muito importante. Precisamos de uma internet muito ágil, TVs em todos os andares. Quando temos eventos de liderança no auditório, transmitimos ao vivo para todos. Quando houve o lançamento do mascote, por exemplo, o trouxemos para rodar aqui dentro e as pessoas terem contato com ele. Quando aconteceram os jogos da Rússia, por exemplo, a tocha olímpica circulou aqui dentro. Há muitas ações de engajamento relacionadas aos nossos valores e ao nosso objetivo.

Por fim, temos a jornada de treinamento para a qual fizemos uma parceria muito importante. Os jogos são feitos por parcerias e fizemos uma inédita com uma universidade, a Estácio, e ela nos proporcionou capilaridade e desenvolvimento de conteúdo para que pudéssemos levar para estas 140 mil pessoas, que fazem parte da workforce, um balanço entre treinamento virtual e presencial.

Henrique, O Brasil e o Mundo estão passando por um contexto bastante desafiador e o que isto impacta na organização dos jogos?

Legal! Tem um lado positivo que é podermos ofertar neste momento difícil tantas oportunidades de emprego. São mais de 95 mil oportunidades em diversas áreas. Mesmo que temporárias, são oportunidades de emprego em um dos eventos mais complexos do mundo de serem executados, com grande visibilidade, com boas práticas, em que a excelência é esperada.

Quem tem a oportunidade de vir trabalhar conosco, mesmo por pouco tempo, vai ter este ganho em sua carreira.

Por outro lado, traz outras implicações. Somos uma entidade privada sem fins lucrativos e vivemos de patrocínio, e neste momento são menos empresas com capacidade econômica de aportar nos jogos. Temos um orçamento um pouco mais limitado do que imaginávamos que pudéssemos ter. Isto significa planejar um pouco mais, ser um pouco mais criativo, mais inovador, eventualmente reduzir serviços que não são essenciais para os jogos e concentrar o foco naqueles que realmente são.

O papel do RH neste momento é assegurar que, mesmo nos momentos difíceis em que é preciso rever orçamento, replanejar e fazer mais com menos, sempre tenhamos em mente por que estamos aqui, qual o propósito por trás desta história. Nos momentos mais difíceis, este é o propósito que vai fazer vencer aquela barreira e seguir em frente independente das dificuldades que você estiver passando ou daquela milha extra que você está dando naquele momento, pois sabe que quando isto terminar você vai olhar para trás e vai ter muito orgulho de dizer que fez parte daquilo e vai poder contar isso para sua família e para teu futuro empregador.

O papel do RH é muito de manter o propósito na cabeça das pessoas nos momentos difíceis e ajudar para que as equipes possam se replanejar e se readequar mesmo um orçamento menor.

Legal! Muito obrigado!

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