Wagner Cassimiro
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Série José C. Terra | 1 de 6 | Horizonte estratégico em inovação

Olá! Estou aqui com José Cláudio Terra, executivo, empreendedor, autor e professor em inovação para falar sobre horizonte estratégico de inovação. Eu sou Wagner Cassimiro e este é o Espresso3.

Terra, vamos começar com uma questão um pouco mais aberta. Por que as organizações buscam a inovação?

Vamos lá, Wagner. As organizações vencedoras no mundo sempre foram aquelas que inovavam, saiam na frente. Podemos olhar a história das inovações, desde Henry Ford, passando pelas pessoas que descobriram a internet como modelo de negócio, Amazon, e chegando aos dias de hoje. A questão é de velocidade. Podemos ir ao passado e falar de Charles Darwin, que quem se adapta é quem sobrevive.

E o que temos notado hoje nos vários setores da economia é que já foi o tempo em que você podia estabelecer um modelo de negócios, um conjunto de competências, um conjunto de tecnologias, e a partir desse estabelecimento garantir margens, crescimentos de maneira continuada. Hoje é difícil imaginar algum setor da economia que não esteja sob ataque. Ataque de quem? Não é um ataque frontal, mas sim um que vem de todos os lados. De novas tecnologias, de novos atores que estão entrando, de gente de outros países via globalização.

Então, o estado permanente hoje é um estado de mudança. A inovação, em um sentido mais amplo, é a capacidade de uma organização mudar. Mudar novos processos, adotar novas tecnologias, mudar seu foco estratégico. É um estado de atenção redobrada, triplicada em um ambiente que é muito mais confuso. A verdade é essa. Quem quiser um pouco mais de estabilidade que saia do mercado competitivo, porque o mercado hoje realmente é competitivo, e precisa de inovação.

Você fala bastante sobre a dimensão do tempo para inovação. O que é e por que é tão importante?

Excelente tópico! Adoro falar sobre isso! A questão do tempo, em inglês tem uma expressão ótima “take for granted”, você às vezes não leva em consideração, o que o tempo tem a ver com inovação? Se eu tiver um ano ou dez anos para me adaptar a uma mudança e se o resultado for indiferente, não tem nenhuma pressão, concorda?

É uma questão de quão rápido eu preciso ser, para criar novos mercados, criar novas tecnologias, para me adaptar a mudanças na regulação. Então, a questão do tempo é fundamental, porque se você tivesse todo o tempo do mundo não precisava colocar a inovação tanto em evidência, como era no passado. Então, eu acho que esse é o primeiro aspecto.

O segundo aspecto é que as organizações, em diferentes países, têm uma relação diferente com o tempo. Eu tenho um amigo, professor francês, que me ensinou isso e eu refleti ao longo do tempo. Diferentes culturas encaram o tempo de diferentes maneiras. Ele sempre falava o seguinte: na China um horizonte de 10, 15 anos é um horizonte normal. Aqui no Brasil se você fala em um horizonte de 10, 15 anos não sobra ninguém, porque as coisas mudam muito rapidamente. Em um ano você cresce 7%, no outro ano você tem recessão de 3%. Então, é muito importante entender que todo o ciclo de planejamento e estruturação das organizações é muito relacionado ao horizonte de tempo que os executivos, que os líderes da organização, que o conselho, colocam em seu planejamento. E isso tem que se de verdade. Uma coisa é dizer “eu vou entrar nesse mercado” e “vou conquistar esse mercado”. Mas em quanto tempo? Ou seja, se você imagina que tudo vai acontecer em um curtíssimo prazo, provavelmente a inovação não vai ter espaço na sua organização.

Isso ocorre com a gente mesmo, se você pensar do ponto de vista individual. Todas as pessoas têm sonhos, têm coisas que elas querem fazer na vida, têm objetivos. Mas se tudo que ela quer fazer é para conseguir resultados nos próximos seis meses, provavelmente elas não vão fazer grandes inovações, ou dar grandes saltos. Você pode refletir sobre a sua vida, qualquer pessoa pode refletir. As pessoas que conseguiram grandes saltos pessoais foram pessoas que mudaram de maneira muito estruturada com a questão do tempo. Elas têm que ter o pratinho do curto prazo, que elas têm que se alimentar, mas elas têm que ter o pratinho do longo prazo, que é tudo que ela tem que fazer para dar grandes saltos na mudança.

Eu acho que as grandes organizações, que não colocam tempo em evidência, operam só em um tempo dado, que pode ser curto, médio ou longo prazo. Eu acho que o ideal, em que a inovação se encaixa bem, é você entender que você tem inovações de curto prazo, que te permitem incrementar, inovações de médio prazo, que podem ser um pouco mais sofisticadas, e inovações de longo prazo significam que você pode ser o novo player que vai ditar os rumos da sua indústria, do seu setor, que você está criando algo novo, que você está investindo muito tempo em uma mudança mais radical. Às vezes falamos que isso aqui é uma missão. Você vai mudar algo. Então, eu acho que tem que colocar em evidência, mais do que falar que quem vai trabalhar com inovação precisa escolher uma dimensão temporal específica, é colocar em evidência os vários tempos da sua indústria do seu setor. E evidentemente alguns setores são mais acelerados do que outros.

Mais especificamente sobre recursos humanos, como essa dimensão tempo pode impactar no seu funcionamento?

Excelente pergunta. Muita gente acha que conhecimento e informação podem ser rapidamente adquiridos. Basta você ter um bom programa de educação corporativa, ou ter um bom EaD, ou ter um bom plano de desenvolvimento individual para cada pessoa. De certa maneira o arsenal de ferramentas para aprendizagem hoje é muito vasto, verdade. Mas uma das coisas que diferenciam, as organizações realmente sólidas, longevas, entendem que a competência diferenciadora leva muito tempo para ser construída.

É muito mais fácil transferir algumas habilidades, alguns conhecimentos técnicos específicos, do que transmitir sabedoria, capacidade de entender padrões, capacidade de tomar decisões difíceis. Isso é só um pequeno exemplo, na verdade. Eu vinha há muito tempo atrás estudando uma ação de consultoria, que agora nem me lembro qual foi, mas eles tinham muito claro que você produz objetos de conhecimento que são consumidos rapidamente e tem um tempo de prateleira muito curto. Em um curto espaço de tempo ele está defasado e já não vale mais nada.

Tem outros tipos de conhecimento que você transmite, que você investe e eles perduram a vida inteira. Trazendo isso para um nível mais pessoal, vamos dizer que uma pessoa desenvolve uma capacidade de oratória. Tipicamente esta capacidade de oratória e de comunicação vai acompanhar a vida da pessoa por muitos e muitos anos, senão toda a vida profissional. Digamos que ela desenvolve a capacidade para usar um software específico para testes estatísticos. Tipicamente ela vai ter que estar se atualizando o tempo todo, ela vai ter que aprender a nova versão, enfim. Se ela trocar de emprego, provavelmente ela não vai mais trabalhar com aquela habilidade. Se você extrapolar isso para o nível organizacional é um pouco isso. São raras as vezes que eu vi um plano de capacitação, de desenvolvimento de talentos que colocam essa dimensão temporal. Quais são as coisas que eu estou investindo que têm um horizonte de tempo maior e quais são as coisas que vão trazer retorno e vão trazer retorno ao longo de muitos anos. Do ponto de vista do valor presente são coisas que vão dar retorno todos os anos. E tem coisas que vão trazer um retorno muito específico, você quer implementar um sistema novo, você treina as pessoas para implementar aquele sistema. E aí acabou.

Ok, muito obrigado.

 

 

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